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A FINA flor da juventude brasileira!

QUANDO eu digo que nós da Tarjeta Branca, turma 171, fazíamos parte de uma espécie do jardim da infância pode parecer exagero a muitos que não viveram na condição de aluno da Escola de Especialistas naquele biênio, final da década de 1970. Noutras palavras também dizia-nos o Professor Evandir (essa profissão e nome devem ser grafados por extenso, tal era a grandeza daquele profissional que nos ministrava Educação Física, e que ia além desta): “Vocês são a fina flor da juventude brasileira!”.

Nossa turma!

Pois bem.

Estávamos todos no galpão de escreventes. Entre uma aula e outra, o intervalo se constituía em festa, tal a algazarra (ainda se diz assim?) que promovíamos. Uma delas era os apelidos que eram atribuídos (e o autor da maioria dos apelidos era o Délio, o nosso zero um) a vários de nós.

O que mais sofria era com certeza o Vieira Lima, cuja alcunha era “porcolino” por causa da sua fisionomia que lembrava vagamente um suíno. A turma não perdoava! Também havia o “mula”, que era o Antunes por causa do seu queixo volumoso. Outro era o Maia, que ganhou do Délio o apelido de “caranguejo”. Eu levei o apelido de “pato”, talvez em razão do formato de nariz. Por fim, havia o “lua”, e o Cosme foi premiado com esse nome por causa do seu rosto redondo que lembrava a lua cheia.

Mas não ficava só aí, entre nós, alunos.

Sobrava também para os sargentos (sem que eles soubessem, evidentemente). O sargento Expedito foi batizado com o nome de “bule” devido ao seu jeito de fazer a posição de sentido, sempre com as duas mãos juntas ao corpo à altura do umbigo, igual ao utensílio doméstico de café. O Délio, mal dava o intervalo, e fazia a imitação do primeiro-sargento, e nós ríamos muito. O Reis, por ser meio gago, e por dar aula de Contabilidade Financeira, era o “fic-fat”.   Uma vez, dado o horário de intervalo, ficamos na sala fazendo a costumeira bagunça e zoando uns dos outros, quando alguém soltou um. Por azar, foi justamente aí que o sargento Vesaro, instrutor de Investigação e Justiça, entrou na sala a pretexto de alguma coisa e, passando a mão em frente a cara como que na tentativa de afastar o mal cheio característico e inevitável, censurou-nos:  

“O Délio, mal dava o intervalo, e fazia a imitação do primeiro-sargento, e nós ríamos muito.”

— Vocês não sabem conviver em coletividade.

Valdemir Vesaro era o sargento mais azedo e antipático do Curso de Escreventes. Depois que ele virou as costas, demos muita risada e continuamos na bagunça.

Vocês lembram disso, colegas e amigos Jeronimo Giglio Lopes, Adão Paulino da Silva, Paulo Sergio Silva, Nilton Clemente, Delmo Gonçalves Rocha e Délio Gonçalves Rocha?

Ou vão me deixar mentir sozinho?

L.s.N.S.J.C.!

(Postagem original em 06jan2015)

Por Valentim

Escritor paraense radicado no Paraná, Antonio Valentim é autor do livro "O País dos Militares e dos Bacharéis" e de "O Misterioso Crime do Sacopã", este ainda em projeto.
Passeia também pelo canal BLOGUEdoValentim!, do YouTube,
L.s.N.S.J.C.!

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