O PAPAI NOEL que não veio!

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ELIÉSER GIRÃO, deputado federal bolsonarista e também general, em 19 de dezembro de 2022, Natal – RN, falando aos aloprados que se encontravam acampados em frente ao QG do Exército em Brasília, lhes disse que: “Podem botar o sapatinho na janela… acreditem em Papai Noel, que pode vir camuflado”.

Dias depois, exatamente na véspera de Natal, foi encontrada uma bomba acoplada a um caminhão-tanque em Brasília. Dotado de temporizador, o dispositivo seria detonado quando o veículo estivesse em operação, reabastecendo uma aeronave, o que mataria dezenas de pessoas, além de terríveis danos materiais e para a imagem do País. Essa bomba foi acoplada na noite de 23 para 24.

Pode-se imaginar o estrago que causaria, com consequências e prejuízos incalculáves para a imagem no país no exterior. Não custa nada imaginar que, após esse ato de terrorismo, outras ações de extremistas tivessem sido levadas a efeito, inclusive em locais de grande circulação, como a Rodoviária de Brasília, por exemplo.

Ocorre que Papai do Céu está do nosso lado e vigilante.

O motorista, percebendo o objeto estranho, chamou a polícia. Esta, pega de surpresa, não teve outro jeito a não ser levar a sério. Chamados os especialistas, o artefato foi desarmado. Mais tarde, chegou-se a um dos responsáveis, o terrorista George Washington de Oliveira Sousa. Naturalmente não agiu sozinho.

Na residência do então ministro da Justiça, Anderson Torres, estava guardado um decreto, ainda não assinado. Ninguém guarda papel sem importância. Na minuta, o então presidente da República decretaria um tal de “Estado de Defesa” no Tribunal Superior Eleitoral. Pode-se imaginar tropas e blindados cercando o TSE; ordem de prisão ao seu presidente, o ministro Alexandre de Moraes. Com tal situação antidemocrática, os apoiadores de Bolsonaro, acampados no Setor Militar Urbano desde o dia seguinte ao das eleições que deram a vitória a Lula, sentindo-se autorizados, ocupariam as ruas de Brasília, incluindo os prédios do Congresso Nacional e da Suprema Corte. Ministros seriam humilhados, exceto Kássio Nunes e André Mendonça, indicados por Bolsonaro.

O caos instalado.

A partir daí, todos os demais “patriotas”, então acampados em frente a quartéis do Exército por todo o país, marchariam a Brasília ou mesmo às capitais de seus respectivos estados, principalmente São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, onde os governadores são notoriamente bolsonaristas. Refinarias seriam bloqueadas, torres de energia derrubadas. Por isso, não ficaria apenas no tal “Estado de Defesa”. Em sequência, seria decretada a tal “Garantia da Lei e da Ordem”, amparada por um estranho entendimento do artigo 142 da Constituição.

A posse de Lula seria cancelada…

Mas o bom Deus, tão falsamente ofendido por milhões de maus brasileiros, não lhe deu ouvido. Graças a Deus, o presidente Lula tomou posse. Foi uma linda festa do povo brasileiro.

Não conformados, mantiveram-se acampados. Naturalmente, com o aval do Exército. Nunca as Forças Armadas, às quais eu pertenci por trinta anos, foram tão vilipendiadas, tão humilhadas, tão aviltadas por um bandido, um homem que pensa somente no bem-estar de si próprio e de sua família.

Veio o dia 8 de janeiro, exatamente uma semana após a linda festa democrática. O que vimos foi forças policiais coniventes, de braços cruzados ou – pior – apoiando ostensivamente bandidos, terroristas dispostos a tudo: depredar, destruir, vandalizar… até mesmo matar – mas tudo em nome de Deus.

O Ser Supremo, no entanto, estava e está vigilante. Deus é o bem, Deus é amor. Lula, que estava no Estado de São Paulo empenhado em socorrer a população por conta das enchentes, escolhera bem seus auxiliares. Flávio Dino, um incansável democrata, um sábio jurista e competente administrador, foi ágil e certeiro no assessoramento ao Presidente. Intervenção Federal, instrumento constitucional, nunca foi um remédio tão necessário e eficaz para o momento em que a Democracia esteve por um fio. Demorasse um pouco mais e seria tarde. Intervenção que pôs em movimento as forças policiais, antes tão inertes, certamente orientados por maus brasileiros ou aguardando ordens que não viriam, ao menos de quem deveria cumprir com o seu dever.

Na sequência, entrou em ação o grande democrata Alexandre de Moraes, prestando todo o apoio jurídico. Homem incansável, foi além das ações do Executivo: afastou o governador Ibaneis Rocha; decretou a prisão de Anderson Torres.

E tudo o mais nós estamos vendo agora. Muito há o que se fazer.

Lula deveria aproveitar a ocasião para adotar medidas severas, capazes de cortar a cabeça da serpente. Provado ficou que as polícias militares e as forças armadas estão contaminadas pelo extremismo ideológico. Nem disfarçam mais. As PM, criadas pelos governos ditatoriais, provaram que esse modelo de segurança está ultrapassado. As forças de Brasília, uma vez reformadas, deveriam ser federalizadas.

Não só isso.

Seus oficiais superiores teriam de ser afastados, deslocados para atividades civis. Em seu lugar, o presidente Lula devia trazer oficiais de outros Estados, a partir de indicações seguras de seus aliados. Indo mais além, há o que se pensar sobre o que fazer com o Exército, a Marinha e a FAB. Que fazer com o alto-comando? Que fazer com a formação de oficiais e praças?

E quanto à desinformação que campeia por este país? Leis urgentes devem ser aprovadas, de forma a responsabilizar pessoas, usuários de redes sociais, bem como as empresas responsáveis. Leis urgentes devem ser aprovadas também quanto a religiosos – falsos religiosos, na verdade – que se aproveitam de seus cargos e de sua influência junto a seus fiéis. O mesmo quanto a militares. Não uso de designações hierárquicas, o que, aliás já é proibido pelo Estatuto dos Militares. Falta apenas aplicar a Lei, estabelecendo sanções. Há que se estabelecerem quarentenas, ou seja, interstício, períodos de tempo entre o afastamento da ativa das forças armadas e a candidaturas a cargos eletivos. Igual providência a religiosos, magistrados…

Enfim, muito a caminhar. Mas o momento é esse.

Graças a Deus, não veio o “Feliz Natal” lá do deputado-general Eliéser Girão, que, pelo nome, deve ser também terrivelmente evangélico.

Deus nos livre do mal. O amor vencerá o ódio!

L.s.N.S.J.C.!

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