EDUARDO Gomes, o grande democrata!

O REQUERIMENTO de impedimento de Vargas, se encaminhado, não daria em nada. Posto em votação e derrotado, daria mais força a Vargas. Disso sabiam os principais nomes da UDN. No entanto, Eduardo Gomes procurava o jurista e parlamentar Afonso Arinos para, do alto de seus conhecimentos jurídicos, elaborar requerimento pedindo o impedimento do presidente. “Isso não vai dar em nada, brigadeiro; não há embasamento jurídico”, ponderava o douto deputado mineiro. “Você não está entendendo”, insistiu o Brigadeiro. “Mesmo que não dê em nada, e Vargas obtenha uma vitória momentânea, isso obrigará os quartéis a adotarem a solução das armas”, argumentava o grande democrata Eduardo Gomes. (pág. 147)

Eduardo Gomes (imagem: Internet)

Dessa forma, a FAB, sob a liderança negativa do Brigadeiro, transformara-se numa seção armada da UDN, da mesma maneira que Lacerda,
não sem interesses, representava o papel de porta-voz da mais atuante
agremiação partidária da extrema-direita brasileira, que surgira exatamente para combater Vargas. Isso é fato. Só não via o ministro Nero Moura – ou fingia não ver. A passionalidade dos oficiais os conduzia, inclusive, à negligência do convívio familiar, preterindo o aconchego de filhos e esposa em favor da segurança de um jornalista e político vaidoso. Sob a leniência de Nero Moura e do forte comando de Eduardo Gomes, foi a partir de maio de 1954 sendo criado o caldo de cultura que formaria a tragédia de proporções colossais que eclodiu em agosto.

Se Getúlio tinha por proteção sua guarda pessoal de Gregório, por que
não Lacerda também contar com seus próprios anjos da guarda? Talvez
tenha sido esse o raciocínio daqueles jovens oficiais. Foram eles os seguintes: Tenente-coronel-aviador Alfredo Correia, majores-aviadores Gustavo Borges, Américo Fontenelle, Moacir del Tedesco, Rubens Florentino Vaz, Haroldo Coimbra Velloso, Paulo Victor da Silva, George Diehl, Francisco Lameirão e o tenente Antônio Carreira. Esses democratas, incondicionais seguidores de Eduardo Gomes, assumindo os riscos da empreitada, decidiram rasgar as páginas dos regulamentos e das leis militares, embora no dia a dia da caserna exigissem de seus subalternos o rigor do cumprimento dessas legislações, como ficou nítido em março de 1964. (pág. 167 e 168)

VALENTIM, Antonio. O País dos Militares e dos Bacharéis. Rio de Janeiro: Autografia, 2021.

L.s.N.S.J.C.!

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