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COMO será a comunicação daqui a cem (oitenta) anos?

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Há vinte anos fui desafiado pela professora Anady, em Brasília, a produzir um texto para um concurso promovido pela ABI, Associação Brasileira de Jornais. O título proposto: Como será a comunicação daqui a cem anos. 
Fugindo da tentação de imaginar algo fantástico, futurista, produzir um texto poético. Ora, outro dia revi a trilogia “De Volta para o Futuro”, que conta a história de um cientista que inventou uma máquina do tempo em forma de automóvel. Viaja para o futuro, trinta anos (2015, pois o presente é o ano de 1985), volta para o passado (também trinta anos antes, 1955), mais tarde retrocede no tempo um século, 1885, e assim vai. No 2015 deles, Hollywood errou feio, prevendo um futuro que ainda está longe de ocorrer. 
Ora, se eles erraram, imagina eu. 
Mas, como macaco velho, não mete a mão em cumbuca…
“O filho perdera o foguete das sete para a escola e passara o dia inteiro em casa, aprontando. Agora pedia para ir brincar um pouco lá fora e a mãe concordou: “Mas brinque aqui mesmo na Terra, hein?! Seu pai não gosta que você atravesse a galáxia sozinho”.
O texto acima, adaptado de Stanislaw Ponte Preta (ou Sérgio Porto, para muitos), é mais uma das inúmeras – e infrutíferas – tentativas do homem em mostrar como será a vida neste planeta daqui a – digamos – cem anos. Fazermos vaticínios acerca do futuro é fácil, difícil é não cairmos no ridículo, no fantasioso, no caricato. Isto Hollywood já fez (ainda faz), e em profusão. Quem nunca ouviu falar de “2001, uma odisseia no espaço” e de outros filmes?
E a História está aí para provar o quanto a nossa fértil imaginação está longe do acerto quanto ao futuro do Planeta Terra, muito menos do Universo. Nessa temática, polímatas geniais como Leonardo e Júlio Verne foram raríssimas exceções à regra. Há mais de quarenta anos o homem pisou o solo lunar e seria normal supor, pelo andar da carruagem – como o fez o autor citado no início do texto, ainda que com uma boa dose de humor – que em breve estaríamos passeando por Marte, que habitaríamos a Lua, que como empregados domésticos teríamos autômatos ou coisas do gênero. Talvez até por terem surgido outras prioridades – problemas a solucionar, doenças a curar – , mas o certo é que tais vaticínios, por ora, estão bem longe de serem realizados.
A tecnologia de ponta parece correr à velocidade da luz. Estão aí os satélites artificiais e a Internet – invenções maravilhosas, não podemos negar – a interligarem instantaneamente – em tempo real, se diz hoje – todas as nações do globo terrestre. Entretanto, ainda há neste início de terceiro milênio muitas comunidades que vivem isoladas do restante do mundo. Para essas populações, o velho rádio – ainda longe de virar peça de museu – e a velha cartinha manuscrita ainda têm o seu valor. É um paradoxo, pois.
 
 
Assim, quem se arrisca a afirmar – em sã consciência – que o rádio, por exemplo, estará obsoleto no ano de 2110? Ora, sob a ótica do leitor, o jornal que hoje circula – a despeito da tecnologia posta à disposição de sua feitura nas oficinas gráficas – não é visualmente quase o mesmo de cem anos atrás? E nem por isso caiu em desuso, malgrado a tecnologia de vanguarda a serviço da informação (está aqui este meio maravilhoso, a internet, que não me deixa mentir). O jornal, entretanto, não ficou estacionado no tempo, e procurou adaptar-se às peculiaridades da sociedade atual – cada vez mais exigente, tornando-se mais dinâmico, mais criativo e eficiente. De idêntica maneira, as emissoras de rádio – seus profissionais – vêm evoluindo ao longo das décadas, adaptando-se aos novos tempos e chegando onde a internet e a TV não vão. Com o advento da televisão, o rádio não morreu, contrariando as pitonisas de plantão, arautos da desgraça; ao contrário, cresceu ainda mais em importância. É o rádio, em muitas comunidades, principalmente no interior brasileiro, o correio, o companheiro e o amigo, levando a notícia, o entretenimento e a alegria aos mais longínquos rincões deste Brasil de meu Deus. Quem de nós se arrisca a dizer que esse veículo, a despeito do célere avanço da comunicação, não terá ainda seu espaço daqui a 50, 100 anos?
 
O Criador, em sua sabedoria divina, não legou ao homem o dom de prever o seu futuro. Como podemos ver, o velho convive amigavelmente com o novo; o antiquado, perfeitamente com o moderno, apesar de alguns iluminados e sua visão futurística pretenderem mostrar o contrário. É possível, por conseguinte, que lá pela década de 2100 nossos trinetos falem assim: Quanta bobagem deste autor que em 2010 previa o engarrafamento do espaço aéreo!, ou outras coisas do gênero.
 
Seja como for, o certo é que nós – gente de hoje – devemos deixar como legado aos nossos filhos e netos meios de comunicação social – jornal, rádio, televisão, celular, internet e outros que estão inventando – cada vez mais humanos, a serviço de uma sociedade mais irmã, e que sejam instrumentos verdadeiros em prol de um mundo de paz e de amor. 
 
Este poderá ser o papel da comunicação daqui a cem anos, dependendo muito de nós.” L.s.N.S.J.C.!!!
O prêmio era uma assinatura anual de jornal. E era Correio Braziliense que não acabava mais!
Não contavam com a minha astúcia!
 
 
 
 
 
 
 
 

Por Valentim

Escritor paraense radicado no Paraná, Antonio Valentim é autor do livro "O País dos Militares e dos Bacharéis" e de "O Misterioso Crime do Sacopã", este ainda em projeto.
Passeia também pelo canal BLOGUEdoValentim!, do YouTube,
L.s.N.S.J.C.!

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