MANAUS, Macapá, Franca…

NOS MEUS tempos de colégio aprendi que metonímia é o uso de uma palavra significando outra, existindo relação entre ambas, semelhança. Há diversos tipos de metonímia: o autor pela obra (Leio Machado de Assis), o continente pelo conteúdo (Bebeu do cálice inteiro), a marca pelo produto (Meu filho gosta de danone) …
Pois bem. Na Escola, entre 1977 e 1979, numa turma de quase meio milhar de almas, era muito comum tratarmos pelo apelido alguns colegas. Certos apelidos o tempo não conseguiu deletar da nossa memória, permanecendo até hoje, quase 38 anos depois, em nossa mente, igualmente ao rosto juvenil de grande parte desses colegas, máxime os mais chegados.
Outro dia, localizei no Facebook o Rubens de Castro Silva Júnior, que formou especialista em Armamento (Q AR). O nome dele aparece como Rubens Júnior. Rubens Júnior? Não, não o reconheci no momento pelo nome, que a memória não reteve. Olhando bem a fotografia dele, reconheci os traços daquele rosto juvenil, desde julho de 1979 jamais por mim revisto. Sim, era o Franca. Franca, sua cidade de origem, nome pelo qual ficou conhecido entre nós.
Então, lembrei que, sem querer, acabamos por criar naquela época mais uma metonímia: a cidade de origem pelo indivíduo.
Aí procurei lembrar de outras alcunhas similares. Os mais célebre deles, apelido imortalizado em nossa mente pelo tenente Magalhães, certamente é  o Macapá, formado Q AT MT. É possível até que nem todos lembrem do N. Ramos, nem mesmo do Domingos do Nascimento Ramos, seu nome de batismo. Porém até hoje estimamos o nosso imortal colega Macapá, peixe do comandante Mário Magalhães, figura igualmente inesquecível, que por sua vez era fã da canção Esbelto Infante.
O mais pitoresco e engraçado desses colegas, porém, era o David Martins da Silva, o famoso Manaus, simpatizante do teorema de Pitágoras, pois para ele, em geometria, tudo se resumia à aplicação do teorema. Formado Q AT IT, migrou para especialidade de voo, acabando por falecer em acidente Aéreo.
No entender de alguns colegas, no entanto, o Manaus gostava de aplicar mesmo era o teorema de Chutágoras.

Servi com ele ainda em Anápolis, Boa Vista e Manaus, e sei de situações embaraçosas, algumas com alguma dose de humor e outras, infelizmente, não tão divertidas.

Quando morador de uma “república” em Anápolis, costumava atender o telefone assim: “Alô, mansão dos magnatas! Deivid falando.”

Uma das suas preocupações era não terminar sargento Buck Rogers. Ele não queria levar “carona”, ou seja, não gostaria de ser preterido, permanecendo eternamente na mesma graduação, deixando de ser promovido. Buck Rogers era um personagem de uma série de tevê veiculada nos anos 70. Era o caso de um cientista, o capitão Buck Rogers, que experimentou entrar numa máquina do tempo e foi parar no futuro, quinhentos anos depois. Permaneceu no posto de capitão por mais de meio milênio.
Lembro dele quando vejo que eu, uma vez promovido a capitão, pedi reserva e permanecerei no mesmo posto enquanto for vivo. Acabei igual ao Buck Rogers, como dizia o Manaus.
Uma dúvida me remói o espírito: O Vassoura, também conhecido por João Luiz Rodrigues de Oliveira, falecido, que se formou Q AR, tinha esse apelido por causa de sua magreza, ou porque era natural do homônimo município de Vassouras, estado do Rio? Talvez por ambas as razões. Alguém saberia esclarecer? (BLOGUE do Valentim em 13fev2015)
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