QUANDO era apenas um sargento novinho

OUTRO dia um comentário do amigo Rocha, hoje conceituado médico, me lembrou da época em que este blogueiro era apenas um sargento novinho, e isso foi lá em Anápolis de 1979 a 1984. Servia no Esquadrão de Pessoal, que se localizava no prédio do comando da Unidade, instalações moderníssimas para aquela época e ainda para hoje.

“Claro que eu lembro de você, caro Valentim. Foi pra você que eu entreguei as minhas alterações”. Sim, claro. Eu era sargento chefe da Seção de Alterações da Base Aérea de Anápolis, e, além de supervisionar aquela dezena de cabos e soldados batendo à máquina de escrever as alterações dos militares, eu pessoalmente mantinha uns fichários – era com o que nos virávamos, sem o computador e outras parafernálias de hoje –  em que controlava o tempo de serviço do efetivo (quinquênio, naquele tempo), as datas de inspeção de saúde periódica e as melhorias de comportamento para as praças. Quem é ou foi da caserna deve me entender, principalmente que é daquela época romântica.

Sim. Por isso eu precisava das folhas de alterações (uma espécie de histórico que registra os principais dados do militar ao longo de um período). Era para colher os dados e preencher as fichas, conforme a natureza do assunto. A partir daí, íamos, a cada mês, verificando quem mudava de quinquênio (para cinco anos, dez, quinze…), para que fosse concedido cinco por cento, dez por cento, etc, do respectivo soldo no caixa “Tempo de serviço”; quem precisava ser enviado ao Esquadrão de Saúde para a inspeção de saúde periódica e quem, dentre os praças, estava mudando para o “ótimo comportamento” ou “excelente comportamento”, conforme as regras do Regulamento Disciplinar. Na data certa, mandava – ou eu mesmo fazia – bater o item de boletim para a publicação no boletim da OM.

Passei a ter grande prazer naquele serviço rotineiro, que ajudava muita gente, mormente os mais esquecidos e desligados dessas coisas administrativas. Eu era pontual e certeiro nesse trabalho que, para o interessado, procurando sempre me antecipar às solicitações dos colegas.

Depois, tudo mudou. Veio a informática e as coisas foram saindo quase no automático. Até mesmo as folhas de alterações, antes batidas à máquina, deram lugar aos formulários impressos. E viva a modernidade.

Tudo dava uma trabalheira danada. Mas a verdade é que dá uma saudade daquele tempo!

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