A SAGA de Danilo (Parte 3)

…continuação da postagem do dia 14fev.2011.

1945, NUMA dessas missões Danilo não voltou

A MADRUGADA encontrou-o entorpecido, sonolento, abatido pelo cansaço, porém não vencido. Como havia lhe prometido, o italiano voltou, trazendo-lhe comida. Alimentou-se como pôde, pois o apetite não podia ser grande. As primeiras 24 horas tinham passado e ele não havia sido descoberto. Se o “inglês” sabia mesmo o que dizia, a sua possibilidade de fuga aumentara um pouco. Mais animado, convenceu o camponês de arranjar-lhe umas roupas civis, em troca das suas. O pobre italiano, embora relutante, concordou, ficando com a sua roupa de vôo. O gaúcho vestiu a roupa velha e surrada que conseguiu, conservando as calças de gabardine de lã do uniforme e as botinas, que pintou de preto, ainda com o auxílio do italiano. Ficou de posse de sua bolsa de fuga, com algum dinheiro italiano e com a bússola, os fósforos, os medicamentos especiais e os mapas da região estampados em seda. Distribuiu o que restou da bolsa de fuga pelos bolsos de sua “nova” roupa velha. Inadvertidamente conservou o seu relógio de pulso. Não pensou naquilo, só muito mais tarde notou que o conservava no pulso. Agora, com boné velho na cabeça, com uma broa bem italiana amarrada em um lenço estampado em vermelho metido debaixo do braço, como o costume da terra, com a sua famosa barba azulada de um dia de idade, poderia passar bem por qualquer italiano da Calábria. O seu moreno carregado e o seu otimismo invulgar lhe davam esta pretensão. Metido nesta roupagem, começou a sua fuga original. Com a ajuda de seus mapas e muito mais com ajuda do italiano, orientou-se na região em que se encontrava. Voando, a coisa era muito mais fácil do que em terra, afirmou o gaúcho. Não havia nenhuma referência a mão… o “inglês” do “Army” (Serviço Secreto) havia ensinado em suas aulas como deveria proceder em situações como a que se encontrava o nosso herói. Sim, devia seguir o caminho mais próximo de gente amiga, ou seguir para as montanhas, onde sabia existirem os partisanos, ou ainda procurar alcançar a fronteira suíça e ser internado.
Isso seria naturalmente o mais lógico, dado a posição em que se encontrava em relação àquelas alternativas. Não se preocupou com estes detalhes “sem importância”. Ele era mesmo diferente. A distância mais curta estava ao Norte. Não conversou. Meteu rumo Sul, que era o de Pisa, onde a “gaita” deveria sair no dia 28 de cada mês. Sim, tinha de chegar antes do pagamento, pois do contrário passaria a desaparecido, ou qualquer outra coisa burocrática, e seria o diabo para receber aquelas liras. Conta ter sido esta sua maior preocupação. Acredito sinceramente que seja verdade. As reações do homem eram todas diferentes. Outro igual será muito difícil existir.
Guiado pelo italiano, desembaraçou-se do reticulado das estradas secundárias, que não constavam no mapa de fuga, e de bicicleta – o camponês levou-o no quadro – alcançou a estrada principal que o levaria a Padova. Diz ele que, comovido sinceramente, despediu-se do “paisá”, que lhe desejou muitos “alguri” e quis beijá-lo à moda da terra. Mas ele não consentiu. Homem, não! Para encurtar a despedida, prometeu-lhe que, terminada a guerra, voltaria para revê-lo. Queria ver o vestido feito de pára-quedas que a irmã do “contadine” iria fazer, assim que s alemães saíssem da sua terra. –  sou testemunha de que o gaúcho cumpriu sua palavra, voltando para ver o vestido de seda branca de seu pára-quedas e que também deixou-se beijar à maneira daquele povo. Quando prometera que voltaria para rever o seu novo amigo, estava muito longe de pensar que isso realmente aconteceria.
Estava só, na estrada principal para Padova e durante o dia. Tudo ao contrário do que o “inglês” lhe dissera para fazer. Um ótimo começo, sem dúvida… Isto não preocupava em absoluto. Seria de quem tivesse as melhores cartas. Ele também era um bom jogador.
Continua…
PENSAMENTO do dia:
‘FIZ um acordo de coexistência pacífica com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra.’ MÁRIO Lago
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo!!!
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5 responses to this post.

  1. Posted by Joao Silva dos Santos on 24 de março de 2016 at 23:15

    Conheci pessoalmente o Ten Danilo, era era Cooperado da Cocamar (cooperativa) nos idos de 1968, 69, 70 por ai, eu com 1516 anos, conheci essa fera da Aeronautiva, na época ele era chamado carinhosamente de Comandante Danilo. Lembro que era tossia muito, saudades daqueles tempos, ele era muito engracado. Saudades. Joao Silva dos Santos – Cascavel – PR.

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    • Obrigado, sr. João Silva dos Santos, aqui de Cascavel, perto de onde resido atualmente, Dois Vizinhos. Grato pela sua participação e visita ao nosso humilde blogue. Gostaria muito de ter informações mais detalhadas sobre a história do Danilo, esse nosso herói da segunda grande guerra. Se algum cineasta ou diretor de tevê se interessasse pela história, estou certo de que daria um bom filme ou mesmo documentário.

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  2. Posted by Ierson on 21 de outubro de 2016 at 10:18

    Prezado Antonio, preciso parabenizá-lo pelo trabalho de colher dados sobre o bravo Danilo e registra-los aqui. Há alguns anos ouvi de forma muito ampassã esta história por meio de um documentário da TV, mas já não me recordava mais os dados do programa e nem as informações sobre quem era a pessoa da história.
    Devido ao meu trabalho na área de educação necessitei de uma história nacional cujo tema remetesse à virtude Persistência e logo me lembrei da reportagem, mas não me lembrava o nome de Danilo.
    Após uma longa pesquisa encontrei seu Blog e me encantei ainda mais com a história de Danilo na guerra.
    Posteriormente assisti ao filme norte americano “Invencível” que conta a saga do prisioneiro de guerra Louis Zamperini e me pus a pensar porque alguém nunca divulgou de forma ampla a história do nosso brasileiro? Porque não se faz uma produção nacional com sua história, bem como com a história dos “três heróis brasileiros” Geraldo Baeta, Geraldo Rodrigues e Arlindo Lúcio, história esta que se assemelha à contada no filme norte americano “Corações de Ferro”.
    Somos carentes de bons exemplos, “heróis”, não porque não os temos em nossa nação, mas porque culturalmente aprendemos a deixa-los na obscuridade e geração após geração temos que recorrer a outros tipos de heróis para sermos inspirados.
    Assistimos a filmes de produção estrangeira sem sabermos que existem histórias tão semelhantes quanto às retratas ali.
    Quem sabe um dia, um bom produtor de TV, apaixonado pela história nacional não descubra essas história que traga para a tela e nos resgate um pouco mais de nacionalismo perdido.
    Parabéns!
    Ierson

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