FAB assegura acesso à informação

A FORÇA Aérea Brasileira (FAB) começou a operar nesta quarta-feira (16maio) o Serviço de Informações ao Cidadão (SIC-FAB). Baseado na Lei 12527, conhecida como Lei de Acesso à Informação, o serviço assegura o acesso à informação pública a qualquer cidadão brasileiro e garante a gestão transparente da informação.

O cidadão acessa a página www.fab.mil.br/acessoainformacao e procura o link para o e-SIC, o sistema criado pela Controladoria-Geral da União para receber os pedidos de documento. No e-SIC, o solicitante faz o cadastro e informa o nome completo, o documento de identificação, o endereço e o e-mail. Após o cadastro, o cidadão deve especificar o órgão e o documento que deseja. O sistema gera um número de protocolo para acompanhar o pedido.

O cidadão também tem a opção de solicitar a informação pessoalmente na unidade de atendimento ao público que fica no térreo do prédio do Comando da Aeronáutica, na Esplanada dos Ministérios, Brasília (DF). Os responsáveis pelo atendimento vão receber o pedido de acesso, registrar no sistema eletrônico específico e entregar um protocolo ao cidadão. Feito o pedido, o prazo de resposta de vinte dias começa a valer.

O pedido de busca e fornecimento das informações é gratuito e não precisa ser justificado, apenas conter a identificação do requerente e a especificação da informação solicitada.

Mais informações sobre o SIC-FAB estão disponíveis no link Perguntas Frequentes, na página www.fab.mil.br/acessoainformacao. Em caso de dúvida, o cidadão pode ligar para o telefone (61) 3966-9665 ou enviar os questionamentos para o e-mail sicfab@fab.mil.br.

(Fonte: Agência Força Aérea)

HISTÓRIA de luta: a vida real imita a arte

Capítulo 21, continuação da postagem anterior.

Dina Sfat em “O Astro”
O CASO da moça assassinada era o assunto da moda, pelo menos naquela semana, lá no Ceá. Cá e acolá se falava no problema, que, por ter ocorrido em área militar, era objeto de inquérito policial militar, mandado abrir por ordem do comandante da Escola. Um fato trágico como aqueles era até motivo de brincadeiras entre os alunos, já que não envolvia ninguém conhecido nem amigo de ninguém. E o assassino, quem seria? Quais seriam as razões?
– Acho até que essas novelas de tevê interferem na vida real.Fiz essa observação ao Brito Dias, depois de ceparmos mais um capítulo daquela apostila. Faltavam, pelo meu relógio de pulso, de vinte a trinta minutos para começar a novela da Globo que paralisava o Brasil. Há muito que a Tupi não era páreo para a Globo. Já enfarados daquele xarope de matéria, fazíamos hora, então; eu, esperando dar a hora do brochante; ele, a hora da novela, que passou a acompanhar a despeito das inúmeras atividades que de nós eram exigidas. Afinal, ninguém é de ferro.

– Eu acho que não, Quinze. Ao contrário, alguns casos das novelas sim, vêm da realidade. Ou você acha que tudo vem somente da imaginação do autor?
– Veja “O Astro”. Janete Clair tem realmente muita imaginação, é muito inteligente para bolar essa estória da morte de Salomão Hayalla, um caso paralelo à saga do Herculano Quintanilha. E veja só, só se fala nisso: “Quem matou Salomão Hayalla?”. Depois de “Irmãos Coragem”, acho que essa é a novela de maior audiência do Brasil. Essas histórias mexem com a cabeça das pessoas. Uma pessoa de cabeça  fraca…
– “Quem matou Salomão Hayalla?”. Essa pergunta, meu caro Quinze, é o Brasil que está fazendo agora. Mas essa imaginação toda da autora não vem do nada, não vem de Marte, vem da convivência, da vida, daqui do mundo real. É uma leitura aqui, outra observação ali, experiências acumuladas… Tudo sai da vida real, e não o contrário.
– Sim, acho que talvez você tenha razão.
– Claro que tenho, Quinze. Qual é a razão maior dessas novelas? Não é só divertir o povo, mas sim fazer a Globo, Janete, Francisco Cuoco e tanta gente  ganhar muito dinheiro também.
– Brito…
– Fala.
– Então: “Quem matou a sei lá como se chamava, quem matou a mulher?”
– Sei lá. Você tá vendo uma bola de cristal aqui na mesa? Vamos chamar a Janete Clair para ver se ela descobre, Quinze. Se não descobrir, guardará na memória pra fazer uma outra novela. Afinal, todas elas são muito parecidas. Terminando essa novela, virá outra que também, igualmente a esta, prenderá o público diante da tevê.
– Mas… sobre quem fez essa barbaridade? E por quê?
– Ah, ah! Não queria te dizer não, mas acho que foi você.
– Eu??? Brincadeira sem graça. Logo eu, que sou até religioso, acredito em Deus. Jamais faria mal a um gato.
– Brincadeira minha, Quinze. Mas, veja bem que a tese não é absurda. Eu sei que há muitos homicídios assim, em que o verdadeiro assassino é uma pessoa acima de qualquer suspeita, pacato, simpático, e…, na minha opinião, até as pessoas religiosas podem revelar em si mesmas verdadeiros psicopatas, assassinos frios, sanguinários,assim igual ao bandido da luz vermelha … Nenhum de nós conhece de verdade a si próprio.
“Quem matou Salomão Hayalla?”
Você tem muita imaginação. Ou andou lendo muito Agatha Christie ou vendo filmes de suspense, Brito. Essas coisas só ocorrem na ficção. Vai ver que a moça foi vítima de um reles ladrãozinho, que a a matou só pra não ser reconhecido.Veja que agora sou em quem está achando que a novela não tem nada a ver com essas coisas.
– Pode ser. Mas, na verdade, eu também não descarto a sua tese de que tem gente, alguns, que se deixa inspirar pelos jornais de sangue, pelas novelas de tevê ou coisa assim.Mas não é só isso.
– Mas, Brito,  eu estava esquecendo  que foi um crime sexual.
– Sim, meu caro Quinze, ele só juntou a fome com a vontade de comer. Mas para chegar a esse ponto, com certeza a pessoa assim já traz consigo algum problema anterior, um trauma de infância talvez. Dizer que o cara viu algum outro caso no jornal, ou então leu um livro, e saiu por aí e pegou a primeira mulher num local escuro e deu fim dela é uma coisa muito simplista. Mas acontece também.
– Você, que é um cara mais experiente que eu, por que você acha que essas novelas fazem tanto sucesso?
–A minha teoria é de que a vida real é muito monótona, sem graça. Então as pessoas se teletransportam para os personagens, vivendo a vida deles, sofrendo com eles, torcendo a favor de um, vibrando com a desgraça de outro… é assim. Na novela pobre fica rico, rico vai pra cadeia. Mas a verdade é que só vão descobrir quem matou Salomão Hayalla lá pelo fim da novela.Olhei de novo no relógio, que havia comprado naquele final de semana em Aparecida, e me levantei. Em cinco minutos o sargento abria a porta do rancho para o brochante. Brito Dias também levantou-se porque a tevê anunciava mais um capítulo de “O Astro”.


Aqueles murmúrios e sons de passos no meio da noite não me eram estranhos. Já os tinha ouvido noutra vez, não sabendo identificar agora se eram reais ou meramente sonhos. Entre o abrir e fechar de armários, também me veio, mais uma vez, ao insondável mundo dos sonhos, onde já me encontrava profundamente mergulhado, o diálogo entre três pessoas sobre a culpa do aluno. Ou não tinha culpa. Não sabia mais se afirmavam que a culpa era do aluno ou se era uma pergunta. A culpa era do aluno… A culpa era do aluno?… Era só culpar o aluno?…
Aliviado fiquei quando acordei com o toque da alvorada, agradecendo no meu íntimo ao corneteiro por me dar fim àquele pesadelo. Foi quando um colega apontou com o dedo na direção do armário do Pontes.  Estava lacrado. Seu Padre fora, durante a madruga, acordado bruscamente e conduzido à companhia de polícia. Estava detido. Detido para averiguações. Qual a razão?Então os sons de abrir e fechar armários, aqueles passos não eram simplesmente sonhos. Eram demais reais para serem sonhos. Não, não eram sonhos. Aquelas coisas aconteceram de verdade. O comandante da esquadrilha lacrou o armário do Pontes, ele mais um sargento e dois soldados levaram o seu Padre durante a madruga. Qual a razão? Por quê? Era o que perguntávamos entre nós. Logo o seu Padre, um cara que não fazia mal a uma mosca?!

Continua… 

UMA NAÇÃO que valoriza seus privilégios acima de seus princípios, logo perde ambos”  Dwight D. Eisenhower
LOUVADO seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!

(BLOGUE do Valentim em 07out.2011)

BOMBARDEIO da FAB em pista clandestina ganha repercussão

A AÇÃO das Forças Armadas na Operação Ágata 4 ganhou destaque na mídia. O bombardeio da FAB em uma pista clandestina a 218 quilometros de Boa Vista (RR)teve grande repercussão nos órgãos de imprensa do País, demonstrando o interesse da sociedades nas ações das Forças Armadas. Confira abaixo os links para algumas reportagens sobre a operação:

JORNAL NACIONAL – Operação das forças armadas e da PF destrói pista de pouso clandestina

 

 

GLOBO RURAL – Operação destrói pista de pouso clandestina em terra indígena yanomami, em Roraima

JORNAL DA AMAZÔNIA - Pista de pouso usada por garimpo irregular foi destruída em RR

UOL – Força Aérea destrói pista clandestina em Roraima

TERRA - FAB divulga imagens de ataque de caças a pista na Amazônia

(Fonte: CECOMSAER)

HISTÓRIA de luta: começa pra valer o segundo semestre

Capítulo 20, continuação da postagem anterior.

À MEDIDA que se aproximava o dia da reapresentação, mais alunos iam chegando de volta à Escola. No dia seguinte à minha chegada mais dois guerreiros estavam lá, de regresso; no outro dia mais cinco ou seis, era assim, uns gatos pingados, de forma que na véspera, um domingo, conforme o dia avançava em horas, o grosso da turma reassumia seus lugares, desfazendo as malas, ocupando os armários, buscando roupa de cama na sargenteação, arrumando as respectivas camas… O pessoal de São Paulo e do Rio de Janeiro só chegou lá pela meia noite, já adentrando a madruga. Pense no barulho, no auê, no rebu que faziam, dificultando o descanso da maioria já instalada.

O corneteiro do Ceá às cinco da matina em ponto tocou a alvorada anunciando a todos à inauguração de mais um longo semestre. As mesmas sacanagens com a propaganda do café Cocaio na jovem Li, aquele fala-fala habitual, enfim aquela zorra de sempre, da qual todos já sentíamos falta. Todos nós, incluindo os mais lerdos e enrolados, já estávamos adestrados para aqueles quinze minutinhos, o tempo gentilmente disponibilizado pela Escola para que o aluno fizesse tudo o que era preciso, ao cabo dos quais nenhum de nós, nenhum aluno mesmo, deveria estar ainda no interior dos respectivos alojamentos na tentativa de prolongar o sono, ou por causa dele. O aluno de dia não esperava ninguém, o sargento de dia, muito menos, e ninguém estava disposto a inaugurar o semestre com o seu nome na lista do sargento, que, após fazer o primeiro filtro nas razões – se houvesse uma, claro –, a levaria diretamente à mesa do comandante da esquadrilha. Daí para ficar famoso com aquele sermão interminável da sexta, que costuma dar o Sapão, numa espécie de exibição, não era coisa difícil.

Começava pra valer mais um semestre no Ceá

Entre nós já havia, não se sabendo por quem e de que forma, chegado a notícia da morte da moça. Boa parte dos rapazes tinha lá sua versão para o crime, sendo que a especulação da maioria tendia para crime sexual, desses que somente a gente vê na tevê e nos jornais sanguinários. Chegava a ser inimaginável que uma tragédia dessas viesse a acontecer tão perto da gente, ali na zona de lançamento de paraquedistas. Já no rancho, alguém chegou com um bizu de um briga no bar da Portuguesa, sem maiores consequências a não ser o prejuízo material pois a proprietária havia se queixado à polícia de algumas cadeiras quebradas pelos desordeiros. A vida seguia o seu curso indiferente aos dramas de cada um.

Logo identifiquei as matérias em que duas ou três leituras seriam suficientes para deixar um aluno mediano preparado para as provas, as em que havia necessidade de um esforço mais prolongado, e aquelas em que, além disso tudo, era também obrigatória atenção redobrada às explicações do instrutor. Eletricidade Básica, por exemplo, era uma que se enquadrava nesta última classificação. A dificuldade aumentava no caso em razão da qualidade do instrutor, um segundo sargento gordo e baixote. O homem devia saber bastante da área, porém a sua qualidade em transmitir conhecimentos não era das melhores, e até aos alunos de mais luzes era, por vezes, incompreensível de início este ou aquele conceito ou princípio.
– Sargento, eu não entendi esse item. O senhor poderia repetir? – indaguei, levantando o braço direito, da forma como fora instruído.
– O que, exatamente, você não entendeu, aluno?
Disse-lho.
– Então, presta atenção, que é só dessa vez.
Dá pra acreditar que simplesmente o sargento gordo apagou o escrito no quadro verde e, em seguida, reescreveu tudo, não complementando com uma só palavra explicativa? Assim ficava difícil.

– Valeu, meu bom sargento! Muito, muitíssimo agradecido. – não resisti à ironia.
Numa tarde dessa mesma semana tínhamos uma aula prática de instrução militar a cargo do Caveirinha. Chegando ele em sua bicicleta velha, deixou-a, como de costume, atrás do prédio. Seguiu-se uma longa instrução com armamento de instrução, o velho e surrado mosquetão da primeira guerra, finda a tortura os alunos subiram a fim de trocar de uniforme para a próxima instrução, que seria de educação física.
Não demorou dois minutos, e o velho sargento entrava no alojamento. O bigode parecia mais volumoso que antes, pelo movimento da respiração – o homem bufava como um touro na arena –, acentuado por aquela velha cara chupada e vermelha, um vermelho assim de quem tomou todas no final de semana. Caveirinha bufava de raiva, suando mais que tampa de chaleira velha e tremendo mais que vara verde.
– Quero saber quem foi o responsável?!
– O que aconteceu, sargento? – era o aluno xerife quem perguntava.
– Ainda tem coragem de perguntar, aluno?! Com essa cara cínica, você sabe bem o que houve. Vocês todos sabem bem o que aconteceu.
Dizendo assim, saiu ao saguão e trouxe a bicicleta, que estava simplesmente retorcida, irreconhecível, quebrada, amassada, chutada… O sargento continuou a xingação.
– Isso é coisa de quem não tem caráter, mais que isso, coisa de quem é bandido, bandido mesmo, desses com foto nos jornais e tudo. Quero saber quem foi o corno que fez isso!
– …
A turma fazia um silêncio sepulcral, e a maioria, desconhecendo o autor da façanha, se olhava com cara de interrogação, já até se sentido mal com aquela cena. O sargento falou por mais cinco minutos, pelo menos. Era em vão ninguém diria, mesmo se soubéssemos quem houvera feito aquela arte, que até a nós mesmos deixara sensibilizados. Quando ele saía, pronto para levar o caso ao comandante do Ceá, se preciso fosse até mesmo ao próprio comandante da Escola, como ele apregoava com sua voz estridente, o aluno xerife manifestou-se. Afinal, não era essa a ideia.
– Sargento, não precisa nada disso.
– …?
– O senhor já vai entender tudo. Rochinha, é hora de trazer aqui o objeto combinado. – falou ao colega que estava a seu lado.
Rochinha trouxe apresentou, para espanto da maioria, que ignorava totalmente o pacto, e também do próprio Cunha Pinto, um bicicleta novinha, zerada, lustrada, aquele cheirinho de nova, e que até em plástico da loja ainda estava. O que se viu foi um homem desmanchado em lágrimas, totalmente desarmado da cólera que amedrontava apenas um minuto antes, sem graça e sorrisos amarelos. Foi só abraço e pedido de mil perdões, dizendo que não era preciso nada daquilo, mas ao mesmo tempo estimando aquele regalo inesperado. O episódio serviu para mostrar a todos a outra face, oculta para boa parte da turma, de um homem, que, antes do excelente profissional que era, detinha por trás daqueles feições severas um grande coração.

A surpresa havia sido ideia do sargenteante, ainda no final do semestre anterior, em colaboração com cinco dos alunos da nosso prédio, nem um a mais que isso. De forma que tudo ficou em segredo durante as férias escolares, vindo a cabo justamente nesse dia, que era dia de aniversário do Caveirinha.

Assim ia, de sangue, suor e lágrimas, vivendo aquele Corpo de Alunos, tornando aqueles dois anos menos duros. A vida seria muito chata sem as peças que ela nos prega.
O início da semana seguinte surpreendeu-nos com um fato que chocou a todos.
Continua… 

COMO não podemos mudar a realidade, deixe-nos mudar os olhos com os quais a vemos”  Nikos Kazantzakis
LOUVADO seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!
(BLOGUE do Valentim em 07out.2011)

MILITARES de Manaus retornam após oito meses de atuação no Haiti

DEPOIS de oito meses em missão no Haiti, período mais longo em que uma tropa de paz brasileira permaneceu naquela nação, os 27 militares do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Manaus (BINFAE-MN) desembarcaram em Manaus às 17h30min, terça-feira (27/03) no  Aeroporto Internacional Eduardo Gomes. O grupo foi recebido com muita emoção por parentes e amigos. Em seguida, os militares foram conduzidos para instituições especializadas, a fim de cumprir uma rotina de exames médicos e psicológicos.

Os militares fizeram parte da segunda tropa de Infantaria da Aeronáutica a participar de uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). O contingente, que seguiu para Porto Príncipe, capital haitiana, no início de agosto de 2011, substituiu a tropa do Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Recife (BINFAE-RF), trabalhando ao lado de militares do Exército e da Marinha do Brasil, além de contingentes de outros países.

“A importância de se manter uma tropa brasileira numa missão da ONU é proveitosa tanto para se obter o respeito de outros povos perante as Forças Armadas Brasileiras quanto para angariar experiência de combate real, e neste caso específico, trazer para a Infantaria da Aeronáutica o que existe de mais atual nas táticas de combate urbano no emprego conjunto entre países pertencentes às Nações Unidas”, ressaltou o 1º Tenente Infantaria Renan Antunes, Comandante do Pelotão de Infantaria de Aeronáutica MINUSTAH. (fonte: Comando da Aeronáutica)

HISTÓRIA de luta: de volta ao front

Capítulo 19, continuação da postagem anterior.

DESEMBARQUEI daquele Pássaro Marrom e cruzei a pracinha. A Escola estava deserta, sendo eu um dos primeiros a voltar; talvez o primeiro. O sol daquele final de janeiro estava na posição de três da tarde.
‘Desembarquei daquele Pássaro Marrom
AQUELA calma, aquela paz, me fazia retroceder aos seis meses anteriores, com o filme, nem sempre em sequência cronológica exata, da minha vida, evidenciando a mim mesmo os momentos mais dramáticos, por isso mesmo marcantes, desde os exames de admissão até a notícia de que o comandante havia reconsiderado a minha reprovação. Relembrei da chegada naquela noite fria em que dormi na companhia igê, do dia seguinte e das providências de alojamento, armário, material escolar, uniforme e papeladas de alistamento na Fab e matrícula no Curso de Formação de . Relembrei também as brincadeiras da turma, tanto com relação à minha pessoa quanto a todos em geral. As dificuldades,  as minhas em particular, e as de muitos, em especial, a expulsão dos colegas que foram surpreendidos consumindo droga, fato extremamente marcante que até hoje é comentado entre nós.
Programei para a manhã seguinte uma corrida em torno do campo de futebol. Eu já estava bom nisso e, naquele vigor de 18 anos, nem mesmo o mês e dias de férias foi capaz de deixar-me fora de ritmo.
Enquanto corria, relembrava alguns pontos daquele semestre tão sofrido, em que cada dia representara para mim um enorme obstáculo a ser ultrapassado, um adversário, cuja força desconhecia, a ser batido. Lembrei das palavras do capelão: ‘Filhos, a capela é o único lugar da Escola onde não tem chamada’, querendo dizer que a presença dos alunos na missa não era uma obrigação e sim voluntária, ao mesmo tempo disponibilizando aquele recinto santo, sempre aberto aos alunos para os estudos, proporcionando-lhes a paz necessária; do primeiro dia a entrar em forma, e da forma pejorativa como o Martins havia se referido à minha pessoa, chamando-me de raquítico; do episódio do Dorival, o Catarina, chamando inocentemente o sargento Cunha Pinto de ‘Caveirinha’, sem imaginar que caíra numa cilada armada pelo aluno antigão; das longas e duras instruções de mosquetão, em que o Caveirinha parecia se comprazer em ralar o aluno, em especial os mais franzinos como eu, com aquela pesada geringonça da época da guerra; das dificuldades em Matemática, e ao mesmo tempo da solidariedade de colegas como o Martinelli, que doavam parte do seu tempo ajudando no aprendizado dos menos preparados; do Sapão, adjunto do Ceá, falando sobre o que os alunos aprontaram durante a semana, e ao final mandando o locutor ler o texto das respectivas punições disciplinares; dos alunos cariocas – principalmente estes -  a zombarem do sofrimento dos ‘paraíbas’, que, por razões geográficas, permaneciam em Guaratinguetá nos finais de semana, enquanto aqueles viajavam para o Rio; das zorras que faziam todos ao chegarem na segunda pela madruga e também ao toque da alvorada, obrigando o despertar imediato de todos, até mesmo dos mais sonolentos e exaustos; a patrulha que alguns faziam aos que, também por razões geográficas e culturais, escamavam o banho, a ponto de, de quando em vez, um deles ser levado à força para baixo do chuveiro, de roupa e tudo; da zombaria da qual não escapavam os paulistas do Vale do Paraíba por causa de seu sotaque e da pronúncia dos erres no meio das palavras, como ‘póita’, ‘póitão’, ‘poiteira’, e outras; da embriaguez e do consequente pesadelo por que passei, ao rolar para baixo da cama e ter gritado desesperadamente para não ser enterrado vivo, acordando todo o alojamento, e ainda levando-me ao hospital, e ter vindo a sofrer em consequência a inevitável zoação da turma; do sistema mirabolante que bolei na resolução daquela primeira prova de Matemática (coisa de gênio!), resultando na sofrível nota de 3,33; daquela conversa fortuita ouvida dos três sargentos que conversavam a respeito de uma possível ‘culpa do aluno’ (essa cena, em especial, cismava em ressurgir costumeiramente à minha mente, até nos sonhos); da minha audiência forçada com o comandante da Escola, e da coça, logo em seguida, a que me submeteu seu ajudante, fazendo-me pagar flexões, pulinhos de galo e correr de volta ao Ceá (não faz mal, pensava, isso faz parte do escripte, também é uma espécie de autoridade artificial de quem diz ‘eu mando, você obedece’). Todas essas coisas me passavam pela cabeça enquanto corria. Já não sabia ao certo quantas vezes tinha percorrido aqueles quatrocentos metros de pista, se eram  sete, oito ou até dez voltas completadas.

Concluí e cogitei que ao final da tarde iria à cidade. No caminho de volta ao alojamento dei de cara com outro aluno, bastante conhecido nosso. Foi com surpresa que o avistei com uma pasta cheia, cumprimentando-o feliz por não ser o único aluno naquela imensa Escola, como até então havia cogitado.

- Olha quem eu vejo?!  Oh seu padre!, digo, olá Pontes!
- Oi, Quinze.
- Pensei que eu era o único aluno aqui na Escola?!.
- Cheguei na semana passada.
- Tão cedo!? E essa pasta recheada aí?
-Verdade. As pastas tão cheias de apostilas. Eu fiquei sabendo que a Deí já estava distribuindo as apostilas deste semestre, então fui lá e já comecei a cepar uma delas. Quer ver?
- Obrigado, por enquanto vou deixar pra depois. Mas…
- O que é?
- Uma coisa me intriga, Pontes: Você é daqui de pertinho, do estado do Rio, e já está aqui na Escola. Eu, sim, tenho razão de chegar cedo, pois vim de avião da Fab, que não tem data certa…
- É pela minha dificuldade, sabe, essas apostilas… eu preciso estudar, entende…
- Sei.

Seguiu adiante, creio que em direção à praça que fica em frente ao Cassino, e eu, de volta ao alojamento, onde tomaria um belo banho e me aprontaria para sair.

Tudo muito estranho no seu Padre, – pensava enquanto me ensaboava – tanta dificuldade assim a ponto de chegar tão cedo de volta à Escola, mas havia colegas antes – eu já ouvira comentários – que diziam que tudo era uma pseudo dificuldade, um faz-de-conta ou coisa assim, e que na verdade Pontes era um cara inteligentíssimo, arguto, observador, daqueles de pouca conversa mas exímio ouvinte, do tipo coruja que não fala mas que presta muita atenção a tudo e a todos em sua volta. E agora, Pontes, que morava no estado do Rio, pelo que estava na sua ficha, e  pelo que ele próprio houvera dito uma ou duas vezes, estava já ali de volta à Escola, três ou quatro dias mais cedo até que eu. Bem, talvez, apenas mais uma brincadeira do pessoal sabendo de que sempre alguém como eu está ouvindo a conversa,  certamente essa turma era fã de filmes de suspense, de zero-zero-sete, de espião, agentes secretos de dupla identidade, de psicopatas ou coisa do gênero. Como neste mundo tem gente com imaginação! Cuidei de botar o quinto, já com a insígnia de segunda série.

No Pássaro Marrom ouvi um passageiro contando a outro sobre um homicídio que tinha ocorrido ali próximo, não tendo eu entendido exatamente onde. Ao que me pareceu uma jovem fora cruelmente assassinada, não sabendo a polícia ainda definir qual a causa. Ouvi porque quem falava não fazia questão de guardar segredo, e a interlocutora, uma mulher dos seus cinquenta anos, também respondia em tom de voz suficiente para que quem estivesse em volta escutasse. Coisas de quem compra jornal por causa da manchete em letras garrafais numa espécie de curiosidade mórbida, bastante explorada pela imprensa sensacionalista. Desde aquela época esses assuntos sangrentos não me interessavam, não obstante o teor da prosa não me fugiu à memória por algum tempo.

Na cidade, a volta obrigatória na errepeeme, que, devido às férias da alunada, estava às moscas, como se aquele logradouro fosse uma propriedade particular do Ceá, das Marias do Ceá e do Romeiro Dias (‘aluno só é pobre porque quer’, cheguei a ouvir ou imaginar quando passava por lá nessa ocasião). Como fizesse calor, e também pela força do hábito, entrei no bar da portuguesa. A lista de findu estava quitada, de forma que o peéfee e a cerveja gelada estavam garantidos, e logo estavam na minha mesa. Desta vez policiei-me de modo que aquelas loiras geladas não me derrubassem como fizeram doutra vez, trazendo-me prejuízo duplo: moral, pelo pesadelo, baixa hospitalar e zoação; e intelectual, levando-me àquela derrocada na prova de Matemática. Não, desta vez a mim não sucederia semelhante problema.

À certa altura, ainda na segunda ampola, que degustava devagar, já à noitinha, – olhei a um relógio de uma das paredes – e eram vinte horas e minutos, numa mesa próxima à minha alguém começou uma briga, que de início era só de palavras feias, mas que, pelo andar da carruagem, viria a descambar ao desforço físico, não se sabendo prever as consequências daquilo: olho roxo, sangue, cadeia? Tratei de fazer anotar as despesas no livrinho de findu, dizendo o meu nome – nem precisava pois já o conheciam de cor -, e casquei fora dali, voltando à Escola mais cedo do que desejava, antes que uma garrafa ou mesa pudesse me atingir. As orientações do Sapão eram bastantes claras sobre aluno meter-se em confusão na cidade.

Noutro dia, imaginando o Pontes com aquele montão de apostilas na pasta, considerei que, não tendo muito o que fazer naquele deserto de Escola, o jeito era também antecipar-me à maioria, ganhando assim precioso tempo na leitura de alguma matéria exigida na segunda série. Dei o braço a torcer pois o seu Padre não estava errado. Foi o que fiz. Com as apostilas em mão, tratei de folheá-las, primeiro uma, depois outra, e outra. Sim, desta vez o conteúdo daqueles papéis não me atrapalharia, pensava de mim para mim mesmo. Seguro morreu de velho; quem se planeja mais se atrapalha de menos.  Naquele mesmo dia, lá pela tarde, iria à capela cepar uma delas.

Continua… 

QUANDO você estiver satisfeito por ser simplesmente você mesmo e não se comparar ou competir, todo mundo te respeitará.”  Lao-Tsé
LOUVADO seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!
(BLOGUE do Valentim em 04out.2011)

HISTÓRIA de luta: o que era um peido pra quem já estava cagado?

Capítulo 18, continuação da postagem anterior.

FIZ a meia-volta regulamentar e rompi marcha, como um bom soldado. Estava na verdade quase um, literalmente. Dei dois passos e, levantando a cabeça vi um oficial, que acompanhava o comandante da Escola. Chamou-me:
- Ei, você, aluno!
- Sim, capitão – corri a até dois passos dele, conforme era o previsto.
- Começa a empurrar o planeta!
- … (??)
- Não entendeu, né, aluno. Raciocínio lento, hein!?
- Sim, entendi. Claro.
Pus as mãos no solo e paguei as flexões contando em voz alta.
- Um, dois, três… dez…
- De pé! Um, dois!!
- Três, quatro!
- Vou anotar teu nome e número. Agora, vou quebrar teu galho. Deixarei que descanse os braços, então paga pulinhos de galo porque essa tua águia tá mais parecendo um urubu.
- Sim, senhor.
- De pé. Se a tua vida já tava complicada, agora que vai complicar de vez. E agora, some da minha frente, sai conforme o regulamento para se retirar da presença de um superior hierárquico. Vá até o Ceá correndo. Correndo sem olhar para trás.
Ele não precisa dizer nada, eu entendia o porquê. Tinha ferido uma grave regra que era a de não falar ao comandante sem que fosse autorizado, além do mais tinha esquecido de polir a fivela que estava já negra.
O comandante da Escola
FUI DO hospital até o Ceá correndo, sem parar nem olhar para trás, cumprindo à risca o que o oficial mandara. Que merda eu fiz, e agora? E se o brigadeiro mandar me prender e me expulsar? Já era o meu plano B, que é o de ficar na Escola como soldado. Cheguei quase morto na esquadrilha. Mas se fosse só o castigo físico, tudo bem, fichinha mesmo no sol inclemente de verão às 11 da manhã . As instruções do Caveirinha já haviam me calejado. O que era um peido pra quem já tava cagado?! O pior viria a ser se, além de nada conseguir da autoridade, ainda por cima fosse punido por ter ido falar com o comandante sem a devida autorização. Aí tava tudo perdido realmente, e nem o plano B me restaria.  Era pegar as malas e voltar para Belém amargando a derrota.
Na estrada, o oficial passou de automóvel por mim, certificando-se de que realmente eu cumpria suas ordens.
Cheguei, tomei banho e mudei de farda. Acabei de fazer as malas, tirando os últimos objetos que ainda restavam no armário, e colocando-os num saco plástico. À tarde mudaria para meu novo alojamento, apresentando-me ao comandante da companhia.
- Aluno Quinze Setequatro!
Era o sargento quem chamava. Ou era para cobrar o atraso na minha mudança ou, pior, seria para ouvir-me quanto à audiência sem ordem com sua excelência.
Não era nem uma coisa nem outra.
- Desfaz essa mala!
- Como disse, sargento?
-Você é surdo? Desfaz a mala – e abrindo um sorriso largo – o comandante reconsiderou o seu desligamento, achando justa a sua reivindicação. Você não será desligado do curso.
Fiquei por um instante sem palavras. Só esperava a decisão no dia seguinte, além de imaginar que a decisão seria a pior possível. Corri e dei-lhe um abraço. Tinha vencido afinal. Continuaria no Ceá, e me formaria sargento.
Rumei até o Rio de Janeiro, onde tentaria apanhar uma carona numa aeronave da Força Aérea. Sem dinheiro para deslocar-me até Belém para as férias, essa era a solução encontrada. Foi o que eu fiz.
Em casa foi só alegria e muitas novidades pra contar à família, aos amigos, aos vizinhos e todos quantos perguntassem. Tudo novidade, tudo empolgação.

Acontecimento mesmo era quando tinha de ir ao quegê da primeira zona para fazer a apresentação regulamentar. Ia de quinto, e não tinha quem não olhasse.

Pena que aquelas férias tão boas logo terminaram.
Voltei à Guará mais cedo, uma semana antes, pois era a data do avião para o Rio de Janeiro. O Ceá e a Escola me esperavam para um segundo semestre. Desta vez, porém, eu estava pronto para eles.
Continua… 

AQUELES que se aplicam muito minuciosamente a coisas pequenas, frequentemente são incapazes de coisas grandes.”  François de La Rochefoucauld
LOUVADO seja o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo!
(BLOGUE do Valentim em 01out.2011)

MÉDICOS militares da Operação ETÁ realizam socorro de criança em Iauaretê

ASSIM que os médicos do Hospital de Aeronáutica de Manaus (HAMN) chegaram a Iauaretê, nesta semana (16/04), foram recepcionados por um pai desesperado com seu filho, Kennedy Ramos, de apenas três anos, no colo. A emergência era por causa de um pequeno pedaço de isopor que a criança havia introduzido dentro do nariz e a família não havia conseguido remover. O incidente ocorreu há três semanas e os profissionais de saúde local não obtiveram sucesso na remoção do corpo estranho.

Logo após ser examinado pelos médicos do HAMN, Kennedy foi transportado de Iauaretê ao Hospital de São Gabriel da Cachoeira, em uma aeronave C-98 Caravan, acompanhado por um médico do HAMN e por sua mãe, a senhora Marineide Ramos. “Eu estou muito feliz pela Força Aérea Brasileira ter me ajudado a curar meu filho, nunca irei esquecer” exclamou emocionada, a senhora Marineide. (fonte: Comando da Aeronáutica)

 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

EM BRASÍLIA, familiares acompanham embarque de militares da FAB para o Haiti

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LÁGRIMAS, abraços apertados dos familiares e um sentimento de saudade antecipada marcaram a cerimônia de despedida dos 115 militares do Exército e da Aeronáutica que embarcaram nesta quinta-feira (29/3), na Base Aérea de Brasília (BABR), rumo ao Haiti. Eles vão integrar o 16º Contingente Brasileiro da Missão da Organização das Nações Unidas para estabilização do Haiti (MINUSTAH). A Força Aérea Brasileira  (FAB) participa da missão com 27 militares pertencentes ao Batalhão de Infantaria de Aeronáutica Especial de Brasília (BINFAE-BR).

Na cerimônia de despedida, comandada pelo Brigadeiro de Infantaria  Rodolfo Freire de Rezende, chefe da Subchefia de Segurança e Defesa do Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR), esposas, filhos, pais, irmãos e amigos dos militares foram acompanhar o embarque do contingente.

“Ele vai se afastar da família e dos amigos, mas em compensação vai receber em troca a satisfação de estar proporcionando ajuda a um povo que teve o país devastado pelo terremoto. Será um aprendizado pessoal e profissional muito grande. É difícil, mas é um orgulho para a família”, ressaltou Catia Pereira, irmã do Sargento Paulo Robson Pereira Leite.

Silvana Tasso Gonçalves, esposa do Tenente de Infantaria Samuel Frank Gonçalves, comandante do Pelotão da Aeronáutica, também exprimia um sentimento de grande orgulho em relação ao marido,com quem é casada há 5 anos. “Eu sei que ele fará o melhor trabalho possível. Será muito gratificante para toda a família a participação dele nessa missão”, afirmou.  “Acho que  vai ser uma grande lição de vida para ele”, complementou Silvana Gonçalves.

O pelotão da Aeronáutica, composto por 15 soldados, sete cabos, quatro sargentos e um oficial passou por um período de treinamento de oito meses no Brasil. As instruções incluíram palestras, treinamentos e um estágio operacional que simulou várias situações reais com as quais os militares vão se deparar nas ruas da capital haitiana, Porto Príncipe.

O contingente da FAB vai integrar a 1ª Companhia de Fuzileiros de Força de Paz, ao lado dos efetivos do Exército Brasileiro e do Paraguai. Eles vão realizar escolta de comboio, patrulhas a pé e motorizada, e controle de distúrbios.

Os militares viajaram em uma aeronave Boeing KC-137 do Esquadrão Corsário (2º/2º GT). Eles vão pernoitar em Boa Vista (RR) e devem chegar ao país na sexta-feira (30/3) pela manhã. O contingente permanece por oito meses no Haiti.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

HISTÓRIA de luta: fui reprovado

 Capítulo 17, continuação da postagem anterior.
OS ALUNOS, em sua maioria absoluta, já tinham viajado de férias para suas cidades de origem, curtindo merecido descanso e lazer no aconchego de seus lares, junto a seus familiares, amigos, namorada. Entretanto, nós, que ficamos de prova final e de segunda época, ainda povoávamos, contra a nossa vontade, o outrora movimentado e fervilhante Ceá. Era um clima melancólico aquele mundão de Escola sem a presença em peso da alunada. Nas feições dos que ficaram se notava nitidamente a preocupação com a própria sorte. Voltariam à Escola no semestre seguinte? Embora esperançados, ninguém de nós tinha certeza absoluta disso.
Na sexta anterior foi a formatura do pessoal da quarta série. Foi bonito ver o aluno zero, já como sargento, passando o estandarte para o aluno zero um da turma anterior. No final, o fora-de-forma e todos jogavam o quepe para o alto, festejando a vitória suada. Apesar das motivações do professor, eu, pelo meu drama particular, ainda não conseguia me visualizar ali, de branco, formando-me terceiro-sargento da Força Aérea.
Ao final todos jogavam o quepe para o alto
Veio a notícia por alguém de que a próxima turma, que iniciaria no primeiro semestre de 1978, inauguraria um novo sistema, pois a Aeronáutica resolvera mudar muita coisa no ensino que preparava o futuro sargento especialista. Já não seriam mais dois semestres de ensino básico, e no segundo o aluno já entraria na parte especializada. Melhor para eles, com mais tempo de aprendizagem no que interessaria de fato. Com essa mudança algumas matérias foram abolidas, e outras inseridas no currículo. Quebrava-se assim um paradigma do modelo adotado pela Aeronáutica desde a sua fundação, em que copiou as nomenclaturas da Marinha. Nossa turma, a turma número 171, seria a última desse velho modelo.
Em Matemática consegui aprovação, arrastado mas consegui. O que eu não contava era que a aparentemente tranquila Tebê me levaria à segunda época, a última, a derradeira oportunidade. Não logrando aprovação, seria o pé na bunda, e a companhia igê aguardava-me sem ao menos o direito às férias escolares. Tal situação deixou-me profundamente inseguro, estava pela bola sete. Preocupei-me com a tal Matemática e dei mole para a Tebê, matéria em que dava por certa a aprovação.
A tal tebê era uma matéria atípica, composta de duas partes, uma teórica e outra prática. A parte prática compunha-se de trabalhar na oficina uma peça de metal, deixando-a nas medidas pré-estabelecidas de um desenho. Não tinha a mínima habilidade com aqueles materiais, e isso, somado à parte teórica, me levou àquele estado nada animador.
Fui chamado ao comando da esquadrilha. O sargento, acompanhado de um psicólogo, me dera a má notícia, notícia esta que já aguardava resignado. Se não tivesse levado uma punição de repreensão quando da minha baixa ao hospital pela bebedeira, tinha ainda uma pequena esperança que seria o abono do comandante da Escola. Mas, como a ficha já não era mais virgem, nada feito.
 Procurei naquela noite dormir mais cedo para não pensar muito naquela situação. Ademais, nada mais tinha a estudar. Tudo estava consumado. Na manhã seguinte desocuparia o armário e migraria para juntar-me aos meus novos companheiros de farda. Durante a noite tive vários sonhos, dos quais nem lembrava nitidamente, porém um deles lembrava perfeitamente: eu entrava novamente no Ceá na próxima turma. O comentário mais frequente entre os novos alunos era justamente sobre o período mais curto do ensino básico, aumentando os semestres destinados à parte especializada. Todo mundo estava feliz com isso, pois o ensino básico era o grande terror.
Acordei com esse sonho na cabeça, e cheguei a comentar a um colega próximo, que ali estava ainda por ser nesse dia a sua prova de segunda chance.  Perguntou-me o que me abatia.
- Que ironia, né Quinze! O pessoal da próxima turma não vai encarar essa matéria chata, que não serve pra nada.
- Pra mim, ela serviu. Serviu pra me transferir para a companhia igê.
- Mas… peraí.
- Que houve?
- Raciocina comigo. Se essa matéria não vai ter na próxima turma, então por que você tá sendo reprovado?
- É o regulamento, vão dizer.
- Quinze, veja bem. E se você for ao comandante da Escola?
- Duvido que deixem.
- O que é que você tem a perder? Reprovado você já foi. No que pode piorar?
- Pensando assim, você tem razão. Mas, …
- Mas o quê?
- Tímido como eu sou. Desajeitado…
- Você não tem mais nada a perder, repito. Ache coragem, vença tudo.
Deitei um pouco naquela cama de campanha e quedei-me em mil pensamentos e conjecturas. O colega tinha razão. Se a matéria não iria ajudar os sargentos que formassem nas próximas turmas, como seria fundamental para a minha turma? Era uma incoerência do sistema. Mas como chegar ao chefão? E se ele nem me recebesse? E se da minha boca nenhuma palavra saísse? E se não me deixassem chegar a ele? Ele, do alto de seu cargo, pelo menos me ouviria?
Resolvi que tinha de fazer algo concreto em vez de apenas ficar conjecturando inutilmente. Fui à luta.
Cheguei próximo ao prédio do comando onde sua excelência dava expediente e parei. Não tinha pedido autorização a ninguém. E nem adiantava, pois não iam me dar mesmo. Resolvi seguir; era a última cartada. Na ante-sala, conversei com a secretária, resumindo-lhe o meu drama. Ela ficou com dó de mim e decidiu me ajudar. O chefe, que recebia visita de uma autoridade, dera ordens expressas de não ser interrompido. Diante disso ela mesma não podia deixar-me falar com ele, porque era necessário estar agendado. Ora, se nem autorizado estava, quanto mais agendado. Já ia saindo, quando ela chamou-me assim numa atitude de conspiração, no corredor, olhando para um lado e outro, e, após certificar-se de que ninguém nos escutava, disse-me em voz baixa, quase sussurrada e ao pé do ouvido, que o brigadeiro tinha, em meia hora, um compromisso na Divisão de Saúde, setor da Escola que ele costumava inspecionar naquele dia da semana. Esse era o dia. Tudo o que eu tinha a fazer era ficar lá aguardando o momento oportuno.
O prédio ficava dali a quase dois mil metros. Rumei para lá, chegando todo molhado de suor. A minha coragem foi aparecendo enquanto caminhava, de modo que ao chegar não tinha como deixar a oportunidade passar. Ele me ouviria, ainda que eu saísse de lá numa viatura, algemado e fosse direto a uma cela. Ia calculando as palavras que diria à autoridade. Ensaiava uma frase, depois a corrigia. Assim não, assim ele não vai compreender; tenho de ser mais direto, tenho de usar outro verbo. Sim, era assim mesmo, seriam essas as palavras que eu iria dizer ao comandante. O máximo que ele poderia me dizer era ‘não’. Mas se ele dissesse ‘sim’, tudo estaria resolvido e o arataca continuaria no Ceá, e o grande sonho continuava. Era a grande a minha esperança de ele relevar a minha reprovação, abonando a minha permanência no curso. Ele passava nessa hora, e esperei que  se afastasse um pouco dos presentes. Sim, afastou-se um pouco. Era a minha hora.
- Excelência!
A autoridade máxima olhou-me da cabeça aos pés, fazendo questão de mostrar sua superioridade ante aquele aluno baixinho, mirrado e ainda por cima todo desalinhado pela ação do suor da longa caminhada, que eu intercalara com alguns trotes.
- O que deseja, aluno?
- Sou o aluno Quinze Setequatro, excelência!
- Vá adiante. Eu não tenho o dia todo.
- Fui reprovado em Tebê, brigadeiro.
- Como?
- Tebê, Tecnologia Básica, senhor.
- E eu com isso? Azar o seu.
- É que essa matéria foi abolida, senhor. Não vai fazer parte do currículo das próximas turmas.
- Aluno, lei é lei. A lei deve ser cumprida. Nunca ouviu falar? Vá embora e não me incomode mais.
- Sim, senhor, mas, veja bem, excelência, se o sargento que vai se formar na turma posterior à minha não precisa dela para exercer a sua atividade, como exigir que essa matéria, que não existirá mais, seja o fator preponderante para a reprovação ou aprovação de um aluno da minha turma?  Os sargentos das próximas turmas serão menos qualificados que os de antes?
Nunca, na minha vida, fui tão prolixo. Por uma fração de segundo, notei algo diferente no semblante daquele homem, algo como uma interrogação, dúvida…
- Vá, aluno.
- Permissão para me retirar, excelência!
- Concedida.
Continua… 

APRECIE as pequenas coisas, pois um dia você pode olhar para trás e perceber que elas eram grandes coisas”.  Robert Brault
LOUVADO seja Nosso Senhor Jesus Cristo! (BLOGUE do Valentim em 30set.2011)
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